outubro 11, 2008
análise xenocoisa
logo quando o capitalismo se verga perante as nacionalizações da Banca (os comunistas rebolam de gozo) por cá a cegueira é dolorosa. sempre se disse que os piores, são os cegos que não querem ver. criam desastres que, se não se abatem sobre eles, seguramente que sobra para alguém.
a atenção sobre o desastre económico desvia a atenção sobre o desastre sócio-cultural.
a C.M.L. intimou um movimento-partido-de-extremíssima-direita a retirar um cartaz "anti-imigração" afixado em Entre-Campos. O cartaz em causa, que por pura e mera coincidência vem a ser afixado num "timing" compatível com a leitura da sentença dos "skinheads", tinha vários dizeres e mostrava uma ovelha branca e lusa a expulsar outras ovelhas. pretas. pretas e catalogadas como "multi culturalismo" e "criminalidade" a par de outros problemas sociais.
deve ser assim que nas mentes políticas portuguesas se resolvem problemas: ocultando notícias, não promovendo debates; não despoletando o combate a intolerâncias; não adequando o ensino primário e secundário à educação "pluralista e democrática". não editando o individualismo pelo ensino e pela cultura o que os media distorcem, num "mundo europeu" onde para se fugir ao desânimo da abstenção, os políticos se vão movimentando em busca de sangue novo e descem a idade mínima para votação para os dezasseis anos, como forma de baixar a abstenção, não porque aumentem a sua qualidade legislativa e reprsentação política.
e já agora, tipo cereja no bolo das omissões do que é (urgentemente) devido, removendo cartazes: uma técnica primato-salazarista típica da conduta do ser político vestido e seguidor da mais pura verdade da avestruz - o que não vê não assusta, logo, o que não vê, não existe.
portanto, a C.M.L. (e a generalidade dos políticos da Assembleia desta des-res-publica) não olha lá "para fora" num roteiro "cá dentro". é mais fácil mostrar toda a pseudo-autoridade mandando remover um ou outro cartaz e assim eliminar a ameaça.
não vale a pena, portanto, acompanhar os recentes casos da Áustria, da Suíça, da Bélgica, da França, da Holanda, da Itália e da Dinamarca, onde os políticos de extrema-direita ganharam expressiva notoriedade eleitoral pelo voto populararizado... pelos jovens e "maduros" votantes.
em vez de se dizer e de ensinar abertamente "vejam a vergonha a que isto chega" ou "estes ideais não servem a democracia" apontando o dedo acusador ao tal cartaz, ou afixando um cartaz de dimensão igual ou superior com as ideias contrárias bem vincadas, ou promovendo o debate e o interesse dos media, retira-se o cartaz de forma coerciva.
passem os olhos por alguns relatórios estrangeiros e constatem os resultados das sondagens acerca de do sentimento popular acerca de muçulmanos e de judeus em países democráticos como a Espanha e a Alemanha (the economist 4th-10th ocotober 2008).
é por isso que perante as agudas crises económicas, de trabalho, de sobrecarga de impostos, de políticas de abandono dos jovens e dos idosos na rota de um liberalismo tendencialmente social, do abalo aos valores culturais seculares pela imposição constitucional de "direitos sociais" aos desorientados sexuais, desacompanhado de explicação séria sobre o fenómeno, ao abuso dessas minorias reclamando o direito à adopção, ao casamento e ao tratamento fiscal como iguais entre eles e desiguais em tudo o resto, que são, tudo conjugado com leis que desautorizam os polícias e impedem a repressão legal e de Direito promovida por um Ministério Público e encimada pela figura de um juiz independente, alimentam os discursos popularistas e facilitistas anti-diferentes-dos-outros.
é por isso que vingam as vozes de Heinz-Christian Strache, Jorg Haider, Christoph Blocher, Vlaams Belangs, Jean-Marie Le Pen, Umberto Bossi e até à pouco tempo, de José Pinto Coelho.
e agora a C.M.L. vai fazer o quê? pedir à ANACOM que proíba o site do PNR na INTERNET onde continua o dito cartaz em forma digital, com base no atentado à dignidade humana???
não desenterrem a cabeça da areia; fiquem nessa posição; e ignorem os sinais dos tempos, para depois estranharem com ar sério e pesaroso, em programas e encontros intelectualizados e televisivos, os tumultos e as violências múltiplas.
"ó Zé! (afinal tu, também por isto, não) fazes falta!".
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outubro 10, 2008
catástrofes
[...]
- então, há catástrofres naturais (de origem climática e de origem geológica),
- sim...
- e pela acção do Homem!
- muito bem; dá exemplos sff;
- poluição,
- sim...
- guerra,
- sim...
- o terrorismo...
- o quê? então e as desflorestações e a exploração excessiva de recursos naturais?
- ah! essas! essas, são OUTRAS das acções provocadas pelo Homem...
- ai é? espertalhãozinho!!! e onde foste buscar essa brilhante conclusão?
- à ficha escolar de "área de projecto" que o "stor" mandou...
- [...]
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ordem na despensa
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assim já percebo esta coisa da crise financeira
obrigado nuno (ncp)
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outubro 09, 2008
help
ontem, frente à montra, surgiu a dúvida... compro em branco?![]()
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soltinhos...
[...]
- um dia destes, acordo morto e aquilo continua lá, sem mim, a trabalhar, a "postar" sozinho...
- q'ideia tão estranha pá... esquisita... meio macabro! incomoda-te? é improvável que aconteça...
- ... e contudo, possível; e incomoda sim! não vou poder responder aos comentários, né?
- q'uê?!?
- é só um pensamento; solto...[...]
No Grog. Quando calha.
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outubro 08, 2008
parafraseando
o estado de felicidade individual resulta da ausência do medo numa linha de tempo.
Eduardo Punset.
("Viagem à Felicidade" e "A ALma Está no Cérebro")
São vários os autores que tiveram a aproximação; Punset parece ter resumido e colado as pontas soltas.
pode ter sido pelo "MatosB", aí às 01:02 PM | E foi dito que: (0) | Pode ter mais aqui: (0)
I'm not there
I'm going down to Rose Marie's
She never does me wrong.
She puts it to me plain as day
And gives it to me for a song.
It's a wicked life but what the hell
The stars ain't falling down.
I'm standing outside the Taj Mahal
I don't see no one around.
Goin' to Acapulco
Goin' on the run.
Goin' down to see fat gut
Goin' to have some fun.
Yeah
Goin' to have some fun.
Now, whenever I get up
And I ain't got what I see
I just make it down to Rose Marie's
'Bout a quarter after three.
There are worse ways of getting there
And I ain't complainin' none.
If the clouds don't drop and the train don't stop
I'm bound to meet the sun.
Goin' to Acapulco
Goin' on the run.
Goin' down to see some girl
Goin' to have some fun.
Yeah
Goin' to have some fun.
Now, if someone offers me a joke
I just say no thanks.
I try to tell it like it is
And keep away from pranks.
Well, sometime you know when the well breaks down
I just go pump on it some.
Rose Marie, she likes to go to big places
And just set there waitin' for me to come.
Goin' to Acapulco
Goin' on the run.
Goin' down to see some girl
Goin' to have some fun.
Yeah
Goin' to have some fun.
Goin' To Acapulco.
Bob Dylan.
(Filme bom. Album fabuloso.)
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outubro 07, 2008
com siderações

sempre pensei no quanto gostaria de perceber como funcionavam as bolsas de valores e os mercados financeiros.
qual a relação entre a falência de um banco nos estados unidos e a queda das bolsas europeias? porque é que por causa disso a opel vai despedir centenas de funcionários na alemanha? e porque é que o nosso ministro se vê obrigado a vir a público descansar os portugueses preocupados com as suas poupanças?…
o bom disto tudo é que, não percebendo nada disso, as minhas preocupações se ficam em me levantar cedo e passar pelo ginásio antes do trabalho :)
… é caso para dizer… bendita ignorância!!
pode ter sido pelo "nelourenco", aí às 02:54 PM | E foi dito que: (3) | Pode ter mais aqui: (0)
s mil e
sem dúvida, um dos melhores cartoons de sempre!
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o Governo e os sindicatos "expertos"
o namoro entre uns e os outros; as negociações; as expectativas criadas; e a realidade.
está tudo aqui.
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outubro 06, 2008
rodas

imagem: fonte conhecida.
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outubro 05, 2008
alone in the day
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outubro 04, 2008
profissionais do sexo
competências pessoais a deter para o exercício da profissão:
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estende em calma
"afinal, encobres o quê?
estendes-te assim, caída, numa aparência de interioridade,
de encolhimento,
com múltiplos dedos que se deixam cair sobre a água que
te dá vida."
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outubro 03, 2008
o grande golpe à Microsoft !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Steve Ballmer e Jean-Phillipe Courtois vêm assegurar que o pacote especial de software desenvolvido pela Microsoft vai mesmo para os computadores "magalhães", aumentando assim o domínio sobre os computadores pessoais a nível mundial.
vão fazê-lo hoje, em Lisboa, no Centro de Congressos da FIL na Junqueira. O Primeiro Ministro Português vai lá estar.
E também uma molhada de gente a gravitar à volta do projecto-evento-político.
Steve Ballmer e Jean-Phillipe Courtois não sabem que em Portugal, a recente legislação da responsabilidade do Governo que os recebe no nosso País, não permite a repressão dos crimes contra os Direitos de Autor que se passem na INTERNET.
curiosamente, é também hoje que se a inicia a Semana do Open Office em Portugal, com uma apresentação da versão 3.0 no Forum Picoas, em Lisboa; mas a essa não se dá destaque - não é "Microsoft driven".
também curiosamente, há uma Resolução de Conselho de Ministros que recomenda ao sector público o investimento em aplicações "open source" - sistemas operativos e utilitários.
para o "governo.actual.pt" parecem haver apenas dois mundos tecnológicos: o da Microsoft e dos "microsoft-partners", e os que o não são.
é pena.
contradições políticas dos tempos que correm, em que o único mercado que não está em falência é o da imagem político-pessoal-e-os-outros-que-se-lixem.
pode ter sido pelo "MatosB", aí às 08:33 AM | E foi dito que: (0) | Pode ter mais aqui: (0)
quedas na chuva
"[...]era tanta a água, que a sede vinha..."
pode ter sido pelo "MatosB", aí às 01:38 AM | E foi dito que: (0) | Pode ter mais aqui: (0)
outubro 02, 2008
caminho pela direita
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outubro 01, 2008
caminho pela esquerda
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setembro 30, 2008
nem um nem outro...

palm palm palm palm palm palm palm palm
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nokia ou iphone?

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wii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
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alone in the dark-light
inalterável.
fixo.
discreto.
único, em todo o quadrante.
diferente do enquadramento,
mas enquadrado.
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men equals
"Men, not Man, live on the earth and inhabit the world."
Hanna Arendt.
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setembro 29, 2008
ex centricus habitus?

o restaurante é... apelativo. as paredes estão repletas de quadros com aspectos do trabalho do campo e com placas metálicas de "melhor bovino do ano"...
os frequentadores deste tipo de espaços, são estranhos; ficam entre o cosmopolita e mania do ser fino, do gosto que se diz ter. alguns têm. os restaurantes funcionam entre as 19:00 e as 22:30. mas "parece mal" aparecer antes das 20:00 (se for mulher que vai ter ao restaurante, fica mal chegar antes das 20:30). por isso, a malta aparece para jantar entre as 20:00 e as 20:30. aos molhos, em pacotes individuais e de qualquer forma - literalmente. o mais surpreendente que vi (tanto para mim como para o "alegre" empregado de mesa) foi um um cliente juntar-se às duas amigas a uma velocidade estonteante, depois de fazer umas fintas por entre mesas, de lenço garrido a esvoaçar ao pescoço.
vinha de patins, claro. e de patins continuou durante o jantar. no meu país isso só seria admitido como experiência para se tentar fugir sem pagar.
conseguiu duas coisas: chamar a atenção sobre ele, e destronar o espectáculo proporcionado pelo cliente que minutos antes tinha entrado de trotineta e esbarrado no balcão.
depois da escolha da mesa (discussão em tom baixo, no centro na sala, com cada pessoas ou grupo que entra) vem o ritual do aperitivo, ou seja, a escolha do prato enquanto se saboreia um vinho branco com cassis.
o aperitivo é um produto francês.
uma das razões porque os franceses fazem do "jantar fora" uma cerimónia, é devido à oportunidade de passarem horas a olhar para o caderno de encargos do jantar, sob a forma de um enunciado de menus.
e eis que quando finalmente a alguma conclusão se chegou acerca do prato, se dá início a um novo cerimonial: a bebida que o acompanha - se é vinho, se é um quarto, se "un pot", e de onde - leia-se de que região francesa.
finalmente, quando o prato aterra na frente do comensal, o "oooohhhhh" prolongado, como se nunca tivesse visto comida num prato, e a chuva de comentários que cada um faz ao prato do vizinho, tipo, "o teu é mais colorido que o meu, tem mais cenoura" ou o "as ervas decorativas dão ao teu um aspecto delicioso e provençal" - vá-se lá saber o que isto quer dizer... por mim bastaria um "que diabo é isso que tens no prato derretido em cima da comida!?!".
e por último, para que o desacordo se transforme em bonança na noite que corre lenta, vem a cerimónia da escolha da sobremesa: vai ser queijo, ou doce? ou nada? o queijo, naturalmente, é francês. não há outro. o doce é alegre, garrido, enfeitado, no meio do prato, por mestre francês - que não se confunda com a doçaria inglesa e quejandos.
e no finalzinho de tudo, quando muito, um digestivo francês - armagnac, por aí.
é então que eles olham o tecto em busca do nirvana e elas papagueiam sem parar, indiferentes ao som do silêncio que se instala.
limitados, estes franceses. não sabem o que é o bom gosto. excêntricos sem euromilhões.
eu, já voltava.
pode ter sido pelo "MatosB", aí às 03:55 PM | E foi dito que: (0) | Pode ter mais aqui: (0)
vem aí e a toda a força
"Quase que por uma lei natural qualquer, em cada século parece emergir um país com poder, a vontade e o ímpeto intelectual e moral para moldar todo o sistema internacional de acordo com os seus próprios valores."
Kissinger.
Talvez uma interpretação actualista pudesse defender que o próximo país seria "o espaço europeu".
Mas por cobardia política, assente num perfeito desinteresse pelo humanista e pelos valores vitais ao auto-respeito e sobrevivência individual, a China aproveitará a janela de oportunidades que os outros lhe conferem.
Portanto, está também errada (ou não...) a visão de Hugo Chavez, quando diz que esta é a época "pluripolar".
O tempo o dirá nessa linha de registos chamada História. Eventualmente, não estarei cá para o ver.
Talvez um dos vossos bisnetos?
pode ter sido pelo "MatosB", aí às 12:18 AM | E foi dito que: (0) | Pode ter mais aqui: (0)
setembro 28, 2008
onde está o... taxi?
"Paragem-Zona dos candongueiros"

"o mesmo sítio à hora de ponta"

reportagem fotográfica: Zé do Teclado.
pode ter sido pelo "MatosB", aí às 09:30 AM | E foi dito que: (1) | Pode ter mais aqui: (0)
vidas - muitas
"[...] e então, demorou "algum" tempo a pensar no que lhe vira e lhe ouvira. decidiu que ia recordar aquela série de momentos. um acto de análise deliberado - não foi uma ideia que saltou sem mais.
não era tristeza, o que viu na outra pessoa; avaliou mal o que percebia dela - voz, tom, expressões, posição dos membros, olhar e desvio de olhares; esquecera-se dos traços "personais" fundamentais daquela para quem tinha despejado os momento mais negros da sua vida recente, agora de forma diferente, porque livre dos compromissos formais que lhe atavam a vida a uma imagem irreal do que pensava ser, o que era e o que tinha.
não era inconformidade, o que emanava do seu olhar. o sorriso continuava limpo e honesto. a voz oscilava entre o sério, ponderado e calmo com o estridente, nervoso e firme som da convicção interna que lhe saía directamente da curiosidade sobre a situação que ajudara a provocar.
o que era, então, e o que o incomodava naquele todo perante si?
foi muito após aquele momento que lhe veio à ideia uma expressão que lhe pareceu certa - aquilo que via de desconforme à pessoa que conhecia, não era tristeza, pena, cinismo, depressão ou infelicidade.
era, na forma simples, amargura, a que de vez em quando lhe saltava dos olhos e revelava a vida recente e actualizada. e tanto assim era, que dando pela fuga do que queria esconder, se disfarçava com um sorriso ou se refugiava numa mudança de assunto.
por um instante absolutamente fugaz, reconheceram-se numa espécie de "estamos cá e na mesma onda", uma irmandade quase-conventual onde o sofrimento era enclausurado, não nas celas individuais de si próprios, mas nos claustros mais espaçosos do disfarce diário concedido pela manutenção de variadas relações pessoais e sociais.
segredos que já eram, conhecimento que se adicionou, desilusão que se afirmou.
se não há almoços de borla, o que é um amigo, quando o é e no que consiste precisamente a amizade, se quando se precisa de um, ele não está?
consciencializou que tendo por base diária um sentimento humanizado, não havia sido amigo, por omissão.
acabaram por se despedir, tarde, cada um deles desligando a sua lanterna com que se tinham ofuscado, em intensidades diferentes (é certo) mas na mesma gama de côr - côr de névoa.
quase de certeza que ambos continuam hoje a pretender estar bem e em paz, avaliando-se e aos que conhecem, reconhecendo defeitos próprios e dos outros, sem o mínimo de mal-e-de-dizer.
não sendo santos, ficaram mais próximos da bondade de si mesmos, pelo simples motivo de, por momentos, terem falado de forma simples mas verdadeira daquilo que eram, do que nunca tinham sido nem tido, e do que seguramente não eram.
foi assim que percebeu que, para além da amargura, lhe tinha também descoberto que com quase vinte anos de diferença, (de)tinha uma maturidade própria, quase do mesmo estado etário.
um denominador comum, baseado em experiências individuais e percebidas de forma quase-idêntica.
muitos anos, esses, de diferença e com diferença.
foi exactamente aqui que interrompeu deliberadamente o discurso interno e voltou ao trabalho, única forma de se desviar do que o incomodava, por não dominar, não influir, não perceber ou saber aceitar a vida quando ela se apresenta nova e colorida.
mas não sem antes escrever umas quantas linhas.
estas."
Vários Bárius. Quintas, no Grog. et alias.
pode ter sido pelo "MatosB", aí às 12:24 AM | E foi dito que: (0) | Pode ter mais aqui: (0)
setembro 27, 2008
vistas
como os problemas acumulados (armazenados e sobrepostos): acabam ali algures, mas não estou bem a ver onde...
pode ter sido pelo "MatosB", aí às 03:33 PM | E foi dito que: (0) | Pode ter mais aqui: (0)
taberneiro no campo
por um momento, parece que ouvi o som único do realejo. fecho os olhos e aproveito a boleia do som e dos sentidos que aparecem na memória: lá está ele, risonho, bonacheirão mas não obeso, com a pata do presunto na mão esquerda, em diagonal, pousada sobre a perna do mesmo lado, flectida; a faca que empunha é longa, apropriadíssima à laminação do pata negra; em cima da pipa, três queijos pequenos, empilhados e um salsichão virado para nós em tom provocador.
e depois aquele dizer comum aos locais onde se produz vinho:
la ou il y a du vin,
il n'y a pas d'au...
pode ter sido pelo "MatosB", aí às 08:57 AM | E foi dito que: (0) | Pode ter mais aqui: (0)

